25/09/2026
A Câmara de São João da Barra só vai definir a Mesa Diretora em novembro. Ainda falta ajustar se a eleição será antes ou depois de uma agenda dos vereadores em Brasília. Mas o jogo começa, de fato, nesta terça-feira (20), com o início da tramitação de uma proposta para derrubar a alteração da Lei Orgânica aprovada em 2020 que impede a reeleição para a presidência da Casa. Para efetivar a medida que abre caminho para a reeleição de Sônia Pereira (PT), são necessários os votos de dois terços dos vereadores (nove dos 13).
Um levantamento feito pelo blog nos bastidores da Câmara aponta que já haveria votos suficientes para aprovar a mudança na legislação. Sônia também já teria assegurada a maioria necessária para ser reconduzida à presidência da Casa.
Assim como aconteceu nas eleições da Mesa em Campos (aqui) e em São Francisco de Itabapoana (aqui), a posição da prefeita Carla Caputi (União) também tem pesado na definição. Nos últimos dias, Caputi, que conta com os 13 vereadores em sua base, teria conversado com alguns parlamentares e sinalizado ser favorável à derrubada da proibição de reeleição.
Para os vereadores, o recado tem sido claro: apoio à recondução de Sônia à presidência. O blog tenta uma confirmação da prefeita, mas não teve retorno até o momento desta publicação.
Na prática, para que a atual presidente possa ser reeleita, serão necessárias duas vitórias. A primeira é a aprovação de uma nova alteração da Lei Orgânica e, consequentemente, do Regimento Interno, para permitir a reeleição. É essa mudança que começa a tramitar na Câmara.
Em dezembro de 2020, quando já existia um combinado do grupo político para Elísio Rodrigues (SD) ser o presidente da Câmara no biênio 2021/2022, a Casa aprovou a mudança que veda a reeleição para qualquer cargo da Mesa. À época, Sônia, Elísio e os ex-vereadores Alex Firme, Aluizio Siqueira, André Fontoura e Carlos Maia (Caputi) votaram a favor, enquanto Eziel Pedro (SD), Gersinho Crispim e Franquis Areas foram contra.
A medida foi aprovada após quatro biênios seguidos sob a presidência de Aluizio — no quarto, vale lembrar, ele assumiu após a renúncia de Alex, que chegou a comandar a Casa. Na região, as câmaras permitem a reeleição, assim como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Caso seja superada a primeira etapa, com a alteração da Lei Orgânica, cenário que parece muito favorável até aqui, os atuais ocupantes da Mesa poderão se articular para uma possível reeleição. Nos bastidores, desde o ano passado (aqui), há quem aposte alto na chance de Sônia ser reconduzida ao cargo. Agora, com os votos necessários para as duas etapas já articulados, a possibilidade ganha ainda mais peso com o possível apoio da prefeita.
Único efetivamente barrado pela lei que impede a reeleição em SJB, Elísio afirmou que sempre foi favorável à possibilidade de recondução. “Ainda não conversei com a prefeita, mas sei que há, sim, um movimento. Porém, muito antes dessa movimentação eu já era favorável a permitir a reeleição. Acho que acabei prejudicado lá atrás, eu queria ter concluído o prédio da Câmara que comecei, mas temos que pensar pra frente. Acredito que Sônia merece a reeleição”, afirmou.
Apesar das declarações de apoio e de tudo parecer bem encaminhado, o jogo “só acaba quando termina”. E vale o velho, mas sempre atual, jargão atribuído a Magalhães Pinto: política é nuvem; tudo pode mudar a qualquer momento. A conferir.