09/03/2026
O subsecretário de Vigilância em Saúde de Campos dos Goytacazes, infectologista Rodrigo Carneiro, participou de reunião com representantes do setor de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, para planejamento de ações voltadas para o controle da disseminação da esporotricose humana e animal no município. Em Campos, foram notificados, nos últimos três anos, 127 casos em humanos.
O especialista aponta que a contaminação humana em ambiente é rara, sendo a maior parte dos casos transmitida por contato com felinos infectados. Carneiro explica que, apesar da existência de tratamento, a esporotricose apresenta elevada morbidade, frequentemente resultando em sequelas cutâneas que afetam a estética e, em alguns casos, podem levar a complicações sistêmicas.
“A Vigilância em Saúde tem observado um aumento gradual dos casos de esporotricose no município de Campos nos últimos dez anos. Essa incidência estabilizou-se em patamares elevados nos últimos três anos, com uma discreta tendência de crescimento, o que representa uma preocupação para as autoridades de saúde”, informou.
Durante o encontro, foram traçadas ações de planejamento como: o tratamento dos animais infectados; a castração daqueles que possuem tutores; a promoção da adoção dos animais recolhidos pelo CCZ e a educação da população. “A reunião foi crucial para definir as prioridades das estratégias a serem implementadas para o controle da esporotricose humana e animal no município”, destacou.
Para a professora e médica veterinária do Laboratório de Clínica e Cirurgia Animal da Uenf, Adriana Jardim de Almeida, o foco principal é educar a população sobre a importância de manter os animais dentro de casa para evitar contaminações e doenças, além de promover a cremação de carcaças de animais infectados, a fim de interromper o ciclo do fungo. “Essas ações são essenciais para controlar a doença no município. Além disso, desde 2017, a Uenf realiza o atendimento e acompanhamento de animais com esporotricose, em parceria com o CCZ, que fornece os medicamentos”, reiterou.
Atendimento — O paciente infectado, principalmente com lesões cutâneas, é encaminhado para avaliação pelo médico infectologista no Centro de Doenças Infecto-Parasitárias (CDIP) e tratado no mesmo local. A medicação prescrita é dispensada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Animais atendidos — O diretor do CCZ, Carlos Morales, explicou que a distribuição do medicamento é feita de forma gratuita ao tutor do animal, após a consulta e confirmação da doença, por meio do atendimento no programa de esporotricose na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
“Por mês, são dispensados cerca de 900 comprimidos, o que abrange aproximadamente 30 animais. O tratamento dura em torno de seis meses, e existem prioridades para garantia da medicação, como pessoas de baixa renda que recebem benefício social”, finalizou.