Transição de pacientes oncológicos para a Beneficência começa na segunda

O Plano de Contingência Estrutural elaborado pela Prefeitura de Campos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, para garantir a continuidade do Serviço de Oncologia para os campistas e moradores da região Norte Fluminense, na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Beneficência Portuguesa, começa a funcionar a partir da próxima segunda-feira (3). Para isso, o município está investindo um aporte mensal de R$ 200 mil para a recomposição das equipes assistenciais, como anunciou o prefeito Frederico Paes (MDB) na quarta-feira (29), após o processo de descredenciamento do serviço do Hospital Dr. Beda junto ao Governo do Estado.

“Para a reativação do serviço, não haverá necessidade de novas construções, uma vez que a instituição possui uma estrutura robusta e adequada. As adaptações necessárias nas instalações internas já estão sendo providenciadas pela própria Beneficência, que também proverá a aquisição de equipamentos, medicamentos e insumos necessários para a continuidade dos tratamentos. Inicialmente, realizamos um repasse mais expressivo e, nesta fase de implantação, será necessário um aporte mensal de R$ 200 mil para a recomposição das equipes assistenciais”, explicou o secretário de Saúde, Paulo Hirano.

Com o plano, a Beneficência Portuguesa irá absorver todos os 831 pacientes que atualmente realizam tratamento no OncoBeda. As equipes assistenciais são formadas por especialistas das áreas de hematologia, oncologia clínica, cirurgia geral, coloproctologia, urologia, mastologia e cabeça e pescoço, assegurando a continuidade da assistência, cuja transferência progressiva de todos os pacientes começa na segunda-feira, por meio de comunicação integrada entre a Central de Regulação, o Hospital Dr. Beda e a Beneficência.

“Esclarecemos que as equipes assistenciais serão formadas majoritariamente pelos profissionais que já atuam no Beda, integrados por novos especialistas que complementarão o corpo clínico da Beneficência. Ressaltamos que o cronograma da gestão segue o rito administrativo vigente, sem qualquer prejuízo à assistência prestada à população”, garantiu o secretário.

Construção do plano
Paulo Hirano explicou, ainda, que as ações de reorganização da rede de atendimento foram executadas pela Secretaria de Saúde com as Unacons, inclusive com apoio total do Hospital Dr. Beda.

“A Unacon da Beneficência Portuguesa já está habilitada pelo SUS e vinha participando de uma forma muito discreta e pequena na assistência, em termos de percentual. A partir de então, fomos construindo essa possibilidade e conseguirmos organizar essa estrutura assistencial necessária para atender a esse contingente oriundo do Oncobeda”, disse Hirano, salientando que o aporte financeiro para a implementação do plano de contingência chegou a ser solicitado ao Estado juntamente com a Beneficência Portuguesa, entretanto, neste momento, por razões internas, não teve a intervenção do governo estadual.

O secretário destacou que a oncologia é um serviço de assistência regional, e Campos é um polo que recebe doentes de todas as áreas. “E foi colocado que, se nós não resolvêssemos, iriam transferir todos os pacientes para outras cidades do estado. Isso seria muito ruim para toda a rede assistencial. E nosso grande objetivo é não haver uma quebra assistencial e, é o que estamos fazendo com todos os atores daqui de Campos, procurando caminhos, construindo pontes para que possamos cumprir a determinação do prefeito Frederico Paes, de forma que seja mantida a assistência à nossa população e da região”.

Apelo aos municípios da região norte
O secretário faz um apelo aos prefeitos e aos secretários de Saúde da região Norte Fluminense para que possam também pedir uma intervenção em nível de Estado em relação ao cofinanciamento nesta região.
“Por conta desse fator, que é importante, haveria uma quebra assistencial gravíssima, mas isso não vai acontecer, porque o prefeito Frederico Paes se sensibilizou e não vai permitir que isso aconteça neste momento, determinando a execução do aporte financeiro necessário para o início dessa nova fase. Mas, na sequência, vamos precisar da participação do Estado nesse cofinanciamento, que, consequentemente, é de interesse de toda a nossa região. Portanto, é preciso que haja um posicionamento político dos prefeitos frente ao Estado, com atenção especial à assistência oncológica da nossa região uma vez que toda a organização, toda a regulação dos procedimentos, das cirurgias, do atendimento, é feita exclusivamente pelo Estado. Então, tem que ter uma participação ativa, não só na administração do processo, mas também nesse cofinanciamento, porque é um momento crítico para a nossa região”, finalizou.